Bazar de Poesia é o novo trabalho da Dueto Produções Culturais e Artísticas Ltda. Criado para prestar uma homenagem à Poesia Infanto-Juvenil Brasileira, o espetáculo "costura" poemas de diversas épocas, propondo um passeio pela produção de diversos autores.
     De maneira geral, o roteiro tematiza a necessidade intrínseca que o ser humano tem do belo, do sensível e do poético, que se encontram nas diversas manifestações artísticas, principalmente na literária.
     O poético a que nos referimos está presente nos poemas escolhidos, mas também na produção artística do espetáculo, que conta com figurinos, cenários e objetos de cena criados a partir dos poemas, no trabalho desenvolvido pelos atores na construção dos personagens e no jogo que se estabelece entre eles. 
     Bazar de Poesia é indicado principalmente para crianças, adolescentes e jovens, mas pode ser assistido por espectadores de todas as idades. Pela proposta levada à cena, o espetáculo é apropriado para compor a programação de feiras de livros, eventos literários, saraus e demais eventos ligados à literatura e à leitura. 


Roteiro e direção
Fabiano Tadeu Grazioli

Atuação
Fernando Benedetti
Zuka Rossi

Cenário e figurino
Jolcinei Luis Bragagnolo

Iluminação
Laudemir Langa
Fabiano Tadeu Grazioli
     



      Fulano e Fulana são “gente simples, trabalham de dia para comer de noite”, conforme eles mesmos afirmam. No bazar que empurram de rua em rua realizam venda ou troca de “ferro velho, vasilhame, cacareco e bugiganga”, ou simplesmente “utilitários”, nas palavras de Fulana. Na lida diária, o casal descobre de maneira inusitada que cada objeto guarda uma carga de poesia que, se percebida, pode mudar suas vidas e a maneira como percebem o mundo. É assim que os cacarecos e bugigangas do bazar vão conduzindo os personagens e o público por um lúdico e inusitado passeio pela Poesia Infanto-Juvenil Brasileira de diversas épocas.


      Na apresentação da 19ª edição de Isto ou Aquilo, de Cecília Meireles, Luciane Sandroni afirma que os poemas ali contidos “se soltam facilmente das páginas e voam pelos ares”.
     Quando li isso, fiquei pensando: é imensa a galeria de poetas da Literatura Infanto-Juvenil Brasileira que, como Cecília, constroem poemas que se soltam facilmente das páginas e, se tais poemas “voam pelos ares”, eles podem aterrissar em outros espaços e compor outras linguagens artísticas.  
      Não tenho certeza, mas acho que foi assim que nasceu em mim o desejo de buscar uma linguagem, no teatro, que pudesse acolher poemas de autores de diversas épocas da Literatura Brasileira que oferecem ao jovem leitor experiências estéticas significativas.
      Mas minha busca, para além de textos de qualidade literária, pautou-se por dois quesitos: busquei textos que dessem margem ao jogo e à improvisação (pois era necessário lidar com a linguagem teatral em sua essência) e que pudessem ser “colados” em um roteiro que busca basicamente falar da poesia em seu conceito amplo, que habita nos textos literários, mas que também, “se a pessoa tiver um olhar enviesado”, conforme diz um dos personagens do espetáculo, pode ser percebida mundo a fora.
      Esses foram os passos iniciais de Bazar de Poesia, que nasce despretensioso, mas intenso, simples, mas poético, e dá continuidade à pesquisa sobre o poema e encenação teatral que desenvolvi em 2005/2006, e que resultou no espetáculo Quintana in Cômoda, destaque no Estado, no ano do centenário de Mario Quintana.
                                                                    
Fabiano Tadeu Grazioli
                                  Mestre em Estudos Literários e Diretor de Teatro


I M A G E N S